segunda-feira, 25 de março de 2013

Capítulo 5 – Revolução Industrial.



1 - O que é revolução?

As revoluções são resultados de processos lentos que envolvem diversos fatores. Podemos defini-la como uma grande mudança que afeta a vida de diversas pessoas.

  • A Revolução Industrial – foi o conjunto de mudanças que aconteceram por volta de 1760 no modo dos seres humanos viverem, se relacionarem e produzirem. Depois da criação da maquina o modo de produção de manufatura passou para a maquinofatura e as pessoas deixaram as oficinas e passaram a trabalhar nas fábricas.

2 – O pioneirismo Inglês.

Entre os principais fatores que favoreceram a Inglaterra a ser pioneira no processo industrial estão:

  • Os capitais acumulados por meio da pirataria na costa da Ásia e da África.
  • Mão de obra farta e barata, devido aos cercamentos que expulsavam os camponeses de suas terras obrigando-os a trabalhar na fábrica.
  • A existência de minas de carvão e ferro.
  • O puritanismo que não condenava o lucro e pregava a disciplina.
  • A Revolução Gloriosa (1688), que deu estabilidade política e criou condições para o desenvolvimento inglês.

3 – Revolução Gloriosa.

Foi o processo que mudou o poder de mãos da monarquia para o parlamento, porém sem eliminar totalmente a monarquia. Os ingleses deixaram de ser súditos e passaram a ser cidadãos com direitos e deveres. Essa Monarquia Constitucional tomou várias medidas favoráveis ao crescimento das manufaturas, das empresas rurais, da indústria naval estimulando os negócios burgueses.

4 – As máquinas.

O negócio de tecidos no mundo era muito lucrativo por isso a primeira indústria a despontar na Inglaterra é a indústria têxtil que foi potencializada pela invenção da máquina a vapor e pelo aprimoramento da metalurgia.

O Tear Mecânico um dos marcos da Revolução Industrial.


5 – Indústria e mudanças socioeconômicas.

A revolução industrial criou dois novos grupos sociais: a burguesia industrial, donos das matérias-primas, das fábricas e das máquinas; e o operariado, que troca a sua força de trabalho por um salário. A divisão do trabalho se intensifica e a produtividade aumenta.
Com o surgimento das fábricas surgiu também a necessidade de se controlar o tempo, assim as atividades dos trabalhadores eram medidas e controladas com mais facilidade, assim como as atividades fora da fábrica.
Os avanças não foram somente na área da produção, a área da medicina teve suas melhorias no ano de 1796 as primeiras pesquisas relacionadas à vacina foram feitas e posteriormente concluídas com sucesso, o médico inglês Edward Jenner inoculou com varíola bovina um menino de oito anos, posteriormente expôs o garoto ao contato com a doença e não houve o contágio. A pesquisa que envolveu a criação da vacina não foi aceita com facilidade, o chargista James Gillray em sua obra “A pústula da vaca” publicada em 1802 criticava as pesquisas de Edward Jenner mostrando que o novo medicamento transformaria as pessoas em vacas.

"A pústula da vaca" charge de James Gillray colocava em dúvida a eficiência da vacina. 


6 – O cotidiano das fábricas.

As fábricas eram insalubres, ou seja, se encontravam em condições que atingiam negativamente a saúde dos trabalhadores. Era comum encontrar em fábricas mulheres e crianças trabalhando, eram inclusive preferidos pelos burgueses, pois os seus salários eram menores que os salários dos homens. Menos de 15% das famílias britânicas ganhavam mais de 50 libras por ano dessa somente ¼ vivia com mais de 200 libras por ano[1].

Imagens mostram a vida levada nas fábricas.


7 – A vida fora das fábricas.

As moradias dos operários eram precárias, normalmente possuíam um só cômodo onde eram feitas todas as atividades domésticas. Nos bairros as ruas não eram calçadas e os esgotos ficavam a céu aberto o que atraia muitas doenças. Já a vida dos burgueses era bem melhor, essa realidade se propagou por todos os países os quais a Revolução Industrial chegou. Esse processo de urbanização caminhou lado a lado com o processo de industrialização.

8 – A luta dos trabalhadores.

A vida ruim dentro das fábricas não foi aceita passivamente pelos trabalhadores, a primeira tentativa de reação foi destruir as máquinas, o nome desse movimento ficou conhecido como ludismo. Outro tipo de organização que surgia nessa época foram as associações operárias que exigiam redução da jornada de trabalho, a abolição dos castigos físicos nas fábricas e pelo aumento dos salários. Nessas lutas as associações se fortaleceram e se formaram os sindicatos.
Na Inglaterra houve luta por participação política, através da Carta do Povo, documento escrito em 1838 que exigia o voto universal para os trabalhadores. Segue abaixo trecho da carta:

Associação de Trabalhadores em Manifestação.

Gravura mostra ação dos Ludistas.

Os Seis Pontos da Carta do Povo (1838)

1º. Voto para cada homem maior de 21 anos, mentalmente são e sem antecedentes penais;
2º. Papeleta eleitoral para proteger o eleitor no exercício de seu voto (voto secreto);
3º. Que não haja qualificação com base em suas propriedades para eleição dos membros do Parlamento; desse modo os distritos eleitorais poderão exercer democraticamente o seu direito de eleger um homem que os represente, seja ele pobre ou rico;
4º. Pagamento dos membros. Dessa maneira será permitido aos honestos comerciantes, trabalhadores ou qualquer outra pessoa servirem ao seu distrito eleitoral de forma intensiva, despreocupando-se de seus problemas pessoais;
5º Nivelação dos distritos eleitorais para assegurar uma representação igualitária com o mesmo número de eleitores, em lugar de permitir que distritos eleitorais pequenos tenham uma representação maior que outras regiões mais extensas;
6º Parlamentos anuais: dessa forma será obtido um controle mais efetivo sobre os representantes, que, ao serem renovados anualmente, terão muito cuidado do que agora em não enganar o povo que os elegeu, pois se é possível subornar ou comprar um cargo por um período parlamentar de seis anos, é de se supor que, sob a égide do sufrágio universal e sendo de um ano a duração de um mandato, não haverá dinheiro que chegue para se pôr em prática o que agora é feito impunemente;












[1] HOBSBAWN, Eric J., Era Das Revoluções: 1789-1848. Paz e Terra – 21ª edição, 2007.

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